No último feriado de Páscoa, na cidade litorânea de Cabo San
Lucas, no México, a professora de educação infantil Clara Clarissa, 24 anos,
fez o que muitas mulheres fazem em uma praia: dançou de biquíni. Só que alguns
elementos extras tornaram uma atitude tão humana em algo cruel. A escola particular
Cumbre del Noroeste pressionou Clara a pedir demissão após um vídeo dela fazendo
a “dança do bumbum” na frente de um cara viralizar na internet, na semana
passada.
Vamos aos fatos.
Clara decidiu passar a folga a pouco mais de 640 km de onde
trabalhava. Curtindo com as amigas, elas chegaram num
evento de dança que convidava qualquer mulher a participar. A ganhadora levaria
cerca de R$ 920 e a professora acabou entrando na brincadeira.
Antes, ela foi alertada pelos organizadores que pessoas estariam filmando a
dança com aparelhos celulares (e daí já viu, né? Tudo poderia acontecer). Clara
concordou e subiu no palco improvisado. Ao som da música Rompe, do rapper Daddy
Yankee, a professorinha mostrou toda sua ginga no twerking, uma espécie de
dança do bumbum do Gera Samba/É o Tchan americanizada. Jogou o seu bumbum na cara
de um dos julgadores, colocou os pés no ombro dele e fez movimentos sensuais
com o corpo, além de chegar a esfregar a cara do rapaz entre os seus seios.
Uma página local no Facebook divulgou o vídeo da dança. Os
pais dos alunos dela testemunharam as habilidades da professora... e a escola “se
viu pressionada” em forçar Clara a pedir demissão.
“Eu sabia que havia celulares lá, mas nunca imaginei que
algo do tipo iria viralizar”, disse a professora para o jornal mexicano
Reforma. “Eu não fiz nada de errado. Era uma competição de dança e uma coisa
desse tipo não me define como pessoa. Estava no meu tempo livre.”
“Não temo nada pelo o que eu fiz”, continuou Clara. “Eu não
estava nua nem usando drogas ou desrespeitando quem quer que seja.”
A pressão chegou a ponto de a diretora da escola, junto com um
advogado, chamar Clara para uma reunião. Foi aí que ela recebeu um recado para
deixar a instituição e “acalmar as coisas”. Mas oficialmente, a escola informou
que a professora se afastou “devido a problemas pessoais”.
Há ainda nessa equação os pais dos alunos da classe de
Clara. Em um site de abaixo-assinados, eles negam que tenham pedido para a
escola demitir a docente. “Nós estamos enfurecidos pela maneira como a
instituição afastou [Clara], usando um pretexto sexista. As crianças amam Clara
e ficaram tristes quando descobriram que ela não daria mais aula para eles”.
Veja o vídeo de Clara dançando (ela ganhou a competição...)
E aí? A escola acertou na decisão? Uma pessoa pode fazer o
que quiser no seu tempo livre? Ou é necessário estar atento já que algumas
profissões exigem mais cuidado com a imagem? Se você fosse a professora, o que
faria? E se fosse os pais das crianças, o que diria para a elas após assistirem
sua professora dançando desse jeito?

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