Por incrível que pareça, os tais três dias até passaram ligeiro.
Quer dizer, todos os dias tem o mesmo tempo, a mesma extensão, mas a impressão
de demora ou rapidez depende do ponto de vista. Na quarta, quando Fernanda
recebeu o convite para sair hoje, não esperava que fosse passar tão depressa.
Deve ser por ter comido tanto nesses dias _uma vez só no Mc_ e repassar na mente
como o encontro deste dia poderia ser.
Muitas das brisas de Fernanda foram causadas pela sua melhor
amiga da facul. Ela quem a incentiva a se depilar toda, se preparar fisicamente
para uma noite inteira de muito sexo. Mas a aspirante a advogada não pensava
muito nisso, pois nem beijo rolou. O que estava mais nos seus pensamentos é a
raiva que seu pai ficou por saber que fora trocado por um garoto.
Muito protetor, seu pai até lhe dava liberdade, mas talvez
não estava preparado para esse dia, quando ela poderia, finalmente, criar vínculo
com alguém para passar o resto da vida. Ao menos era isso que ele esperava – Se
for para se envolver, que seja algo duradouro e sério, divagava.
O sábado foi bem atípico. Geralmente, os três passavam
juntos, passeando na rua ou fazendo alguma coisa no apê. Só que havia uma
divisão: o pai meio quieto na sala, a mãe na lavanderia/cozinha e Fernanda
sozinha no quarto.
Nem tinha chegado a hora do almoço e ela já tinha conversado
bastante com o garoto do olho de jabuticaba. Nada fora do normal, um bate-papo
gostoso e a confirmação do horário e ponto de encontro da noite.
Após falar com ele, Fernanda levantou da cama e ficou de
frente ao espelho do guarda-roupa, como de costume. Observou que até estava com
uma barriguinha, nada que a incomodasse, não tinha esse grilo. Decidiu tirar a
única peça de roupa que usava, uma calcinha boxer rosa.
Nua, passou as mãos em seus pelos e fez uma análise completa
se deveria tirá-los ou não. Gostava do visual do conjunto da obra, com eles bem
aparados. Conforme ia acariciando a região, naturalmente seus dedos desciam
mais até sentir um arrepio que a fez respirar fundo, fechar os olhos, morder os
lábios e estufar o peito, com a cabeça para trás.
Um turbilhão de coisas veio em sua mente e ela apenas
decidiu se entregar. Deitou de costas na cama, com a perna dobrada na lateral e
o espelho lhe dava uma excelente visão. De perna aberta, só simulava o que poderia
acontecer nesta noite, com ajuda das imagens que tinha dos seus livros da série
Renegade Angels. Foi algo como nunca teve antes. Enquanto o braço direito
trabalhava, o esquerdo servia para ser mordido e evitar qualquer gemido mais
alto. O que só não deu para segurar foi a tremedeira do corpo e a sensação de
quase desmaio após. Delirou assim que colocou os dedos do meio e anular na boca
e sentiu o seu próprio sabor.
Pensaria que poderia gastar todas as energias. #SQN. Ficou com mais vontade. Embaixo do
chuveiro, enquanto se depilava toda, chegou novamente ao êxtase.
Estava preparada.
***
Ao encontrá-lo no lugar combinado, Fernanda ficou totalmente
tranquila. O temor de que algum embaraço surgisse caiu por terra. Era como se
estivesse começado a conversar exatamente aonde pararam da última vez que se viram
ao vivo, há uma semana. Os assuntos fluíam normalmente e ela queria manter
assim, mesmo sabendo que tinha coisas importantes a saber.
Se trabalhava? Onde morava? Fernanda não queria ser a chata menina
que incorpora um espírito de uma entidade que trabalhou num RH. Então, manteve
a conversa na semana leve, brincalhona, como tem de ser. Mas havia algumas
curiosidades a matar e escolheu o encontro para tentar descobri-las. Fez isso
introduzindo assuntos indiretamente. Ele ajudava o pai, dono de uma loja de
autopeças. Também descobriu em qual bairro era sua casa.
Fechô!
O dia deu uma confiança incomum para Fernanda. Ela se sentia
poderosa, com uma injeção de ânimo acima da média. Andando na rua após deixar o
restaurante, aguardava ansiosamente para que ele a puxasse de canto e fizesse
tudo com ela, menos conversar. Até que o garoto fez justamente isso.
Enquanto se beijavam, Fernanda ficava ofegante a cada segundo
que o sentia excitado, quando pressionava seu corpo contra o dele. Após alguns
minutos se curtindo, ela ouviu o que queria e respondeu sem pestanejar:
- Vamos para um lugar mais reservado? Daí poderemos...
- Sim, vamos sim...
***
O processo até chegar ao quarto do motel foi como um vulto
para Fernanda. Ela só queria chegar lá. Finalmente totalmente a sós. Ela deixou
que o garoto tomasse as rédeas. Só que no meio do caminho ela mudou de planos.
Outra vez o instinto tomou controle e Fernanda o jogou na cama. Ficou por cima
dele, beijando e sentindo o seu respirar. Ficou ereta e se posicionou para o
sentir a preencher por completo. Foi uma sensação única.
Com as mãos entrelaçadas atrás da cabeça, Fernanda fazia
movimentos, com os olhos fechados, que a deixavam completamente excitada.
Ficava mais ainda apenas ao ouvir os gemidos dele. Quando o garoto pegou nos
seios dela, ela abriu os olhos, fixou bem no rosto do parceiro e soltou um ofegante
“isso, assim”.
Praticamente ejetada para o lado dele na cama, os dois se encaravam
sem muitas palavras para dizer. Entre uma respiração profunda e outra, Fernanda
olhava para o espelho no teto, enquanto acariciava a barriga do garoto com a mão esquerda. Para intimar
em seguida:
- Quero mais...

Uau! Essa Fernanda não é a favor de rodeios, foi logo pros finalmentes 😂 Gostei que maneirou no fastfood, 👏 Estou ansiosa para o desenrolar dessa noite!
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