Capítulo 1 - Fernanda e a professora de direito penal


Nem era uma questão de não gostar de chegar cedo, mas Fernanda sempre entrava na sala da faculdade atrasada, com o professor ou professora já no meio daquela imperdível aula _hoje, sobre direito penal. Ela foi chegando de fininho, com um copo de café na mão, e sentou em seu lugar cativo: terceira cadeira na fileira da parede ao lado da porta. Era o seu lugar de estimação desde o ensino médio.

Sua melhor amiga da facul, a que sentava logo atrás dela, lhe deu a dica de como seria o dia:

- Hoje a manhã vai ser tranquila, a professora está de bom humor!

- E como você sabe disso?

- Tá na cara, poxa! Ela transou ontem à noite...

Fernanda tentava dar algum sentido ao que sua melhor amiga da facul disse. Teria a transa um poder tão forte para mudar o humor de uma pessoa? Ao juntar esses pontos aparentemente desconexos, ela notou que tinha sextas que a professora de direito penal estava insuportável. Deve ter sido resquício de uma noite sem sexo, pensou.

A vida tão agitada da estudante e estagiária não dava o prazer de ter prazer. Não que evitasse ou não gostasse. Mas simplesmente era algo ausente em sua rotina. A aula estava com uma empolgação tamanha que Fernanda encostou a cabeça na parede e tentou lembrar o último dia em que transou. Parou de contar quando chegou no sexto mês...

Ela conversou com sua melhor amiga da facul sobre um trabalho que precisavam fazer e saiu um pouco antes da aula acabar, pois tinha de passar no banco e resolver umas coisas. Acionou o botão para esquecer o pensamento da manhã. Colocou o fone de ouvido, acionou a playlist com sambas das antigas (que entregou logo de cara Emílio Santiago, com Verdade Chinesa) e seguiu o seu caminho.

Ao ir da casa para o trabalho, agora batendo forte o som de Rashid, aquele pensamento da manhã voltou à mente. Durante o dia ela até conseguiu vencê-lo, mas desta vez resolveu deixar ser levada e brisar um pouco nos mais de 40 minutos até chegar ao lar.

Em meio ao turbilhão, percebeu como os homens olhavam para ela. Isso acontecia corriqueiramente, só que agora ela queria entender de fato cada significado desses olhares. Não tinha um corpo de uma panicat moldada em mesas de cirurgia, mas tinha um corpo uniforme [ou melhor, equilibrado...]. 

Neste dia, estava com um look que achava normal, outros não sentiam atração enquanto outros achavam sexy: calça social não muito justa, um sapato de salto baixo, blazer e uma camisa branca por baixo.

A conclusão que chegou foi a de que as encaradas eram neutras. Na maioria dos casos, notou que os homens a conferiam apenas por hábito, como se tivesse que olhar para uma mulher que fica a sua frente, quase uma obrigação. 

Lá no íntimo, queria identificar ao menos um que a desejasse. Ainda estava em dúvida se de fato a felicidade estava diretamente relacionada ao sexo.

Pelo visto, aquela alegria estampada na professora de direito penal iria permanecer em seu pensamento por um bom tempo.

0 comentários:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.

Made with by Odd Themes Published By Gooyaabi Templates

© 2014 Mapa da Mina - Todos os direitos reservados.