Capítulo 7 – Fernanda e a maldição em forma de benção (parte II)


- O que acabou de acontecer? – disse Fernanda ao se virar para a mãe após ver o pai deixando a cozinha.

- Acho que você vai ter de fazer um esforçozinho... Conseguir a aprovação do homem não vai ser fácil...

- Tá, mas o que eu faço? – perguntou Fernanda ajeitando o seus óculos com o dedo indicador.

As duas se encararam novamente, segundos se passaram até a mãe ter uma ideia.

- Olha, sabemos que seu pai é mais conservador. Então, não traz o garoto aqui só de passagem... Cê não vai estar de férias daqui a algumas semanas? Vamos preparar um lanche de sábado, almoço de domingo... Seu pai aceitará algo desse tipo, mais tradicional.

- É, acho melhor. Vamo de almoço, mais tranquilo.

Fernanda já bateu o martelo no domingo porque sábado à noite era o dia de se entregar ao prazer. Uma casualidade no lanche de final de tarde neste dia poderia arruinar a noite.

- Sim. Me diz um dia legal que eu falo com seu pai e eu preparo um almoço da hora.

- Da hora? Ninguém mais diz isso, mãe – que lançou um olhar fulminante de indiferença para a filha.

***

As semanas seguintes foram de ansiedade para Fernanda. Entre um Big Mac e um sundae de caramelo, ela ponderava os cenários do que poderia acontecer no projetado domingo. Já tinha acertado tudo com o garoto, fechado o semestre da facul sem DP e só restava esperar chegar o dia.

Os dois mantiveram os encontros quentes, fervorosos. Ela achava que estava num momento de lhe chamar de namorado, mesmo sem um ter ido na casa do outro e etc. Se sentia tão íntima _em todos os sentidos _do garoto que criou essa confiança. Cravou na mente que chegaria no seu pai e diria: Pai, esse é o meu namorado. Servia também para, de qualquer modo, amenizar a primeira impressão e mostrar a ele que a coisa é séria.

Na véspera do domingo, o casal marcou um encontro daqueles de minar o mínimo de stress. Só decidiram que não passariam a noite no motel. Melhor ir cada um pra casa e estarem tinindo na hora do almoço.

No domingo, o pai de Fernanda estava completamente indiferente. Ele aceitou participar do almoço, receber o garoto e tudo mais. Só que não demonstrava qualquer empolgação.

- Deixa ele lá na sala, vai. Não precisa ficar preocupada.

- Eu sei, eu sei. Mas seria legal ver um pouco de empolgação, né?

- Veja pelo lado positivo, Fernanda. Ele aceitou o almoço, já é um passo.

- Tem isso... O problema é que eu não sei se quero que ele chegue logo para quebrar o gelo ou que esse dia termine...

- Calma. Vai dar tudo certo.

***

Deu tudo errado.

Assim, não foi aqueles desastres de almoços das novelas mexicanas exibidas no SBT. Mas não foi nada glamoroso como as refeições fantasiosas globais. No português bem claro, não foi como Fernanda esperava. Ela queria que os dois se dessem bem e que pudesse trazer o garoto outras vezes em casa, aumentar o vínculo. Mas pelo comportamento gélido do pai, tudo dentro da boa educação, diga-se de passagem (como diria o outro), o futuro do casal estava um pouco turvo.

O garoto percebeu que o sogro não o recebeu calorosamente. Isso causou um desânimo ideologicamente. Mas o relacionamento continuou intenso fisicamente.

Fernanda planejou um encontro bem mais de boa para a próxima semana que estivesse de sinal vermelho. Era um tempo no qual poderia injetar ânimo no garoto, uma conexão mais mental, e não o fazer que desistisse de querer algo mais sério. Ela tinha o apoio da mãe e ele tinha esse conhecimento.

Ao conversarem sobre isso, em um barzinho num dia de chuva, a sugestão de ir almoçar na casa dele surgiu. Conhecer os familiares. Ela topou.

Aquela ansiedade retornou, porém com uma companheira intrigante: a preocupação. Os dias de sinal vermelho estavam se atrasando...

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