O lado obscuro do feminismo é o que distorce o ideal dessa
luta, que se banalizou nas redes sociais.
Isso pôde ser observado em uma situação interessante que
aconteceu na semana passada. Situação essa que, se tivesse o papel dos sexos
invertido, teria causado uma comoção da força do mal a níveis escatológicos.
Eis os fatos. As atrizes Dakota Johnson (da saga Cinquenta
Tons) e Leslie Mann estavam concedendo entrevistas a vários veículos de
comunicação para divulgar o filme Como Ser Solteira. Quando chega a vez do
repórter Chris Van Vilet, da afiliada em Miami da rede norte-americana Fox, o
constrangimento entrou em cena.
Quem começou com as “gracinhas” foi Leslie. “Você é
solteiro?”, perguntou para o jornalista, completando em seguida com um “você é
bonito”. Ela ri, e Dakota repete o gesto. A estrela de Cinquenta Tons continua
a investida. “Você malha muito?”, questiona sem pestanejar. Leslie, de bate
pronto, manda a direta: “Você pode tirar sua camisa?”.
Van Vilet, nitidamente constrangido, tenta amenizar o clima.
Devolve sorrisos, brinca, insinuando que vai tirar o terno primeiro. Desiste.
Diz que vai desbotar a camisa, um só botão. Leslie, então, se apressa: “Desbote
dois, senão não vamos falar...”. O repórter, intimidado, faz, sem antes
ponderar que “é como... vocês estivessem me chantageando”. Dakota olha para as
pessoas que estão no estúdio e termina o assédio: “Vocês podem ir embora?”.
Imagina isso acontecendo ao contrário, dois atores dizendo o
mesmo para uma repórter...
[....]
Imaginou?
O que aconteceriam com os atores? Seriam execrados? Boicotados?
Atacados na mídia, nas redes sociais?
Pois bem, Leslie e Dakota foram tachadas de engraçadinhas,
fofas. Muitas matérias falando desse assédio como se fosse algo inocente, nada
de mais.
Será?
Onde estão as feministas da escuridão, que certamente esbravejariam
aos quatro cantos na situação contrária, para se posicionar contra Leslie e
Dakota pelo comportamento inapropriado?
Absolutamente desprezível é o que elas fizeram, assim como
se fosse dois atores cantando uma repórter. Agora, se é tudo na base da
descontração, porque não pode ser assim também no inverso? Ou é sinal de
opressão o homem elogiar o quanto uma mulher é bonita, atraente etc?
No meio disso tudo, é evidente a liberdade que cada um tem
para fazer o que
bem entender. Quem quiser cante, quem quiser não cante, quem
quiser aceite a cantada, quem quiser rejeite a cantada. Mas por que há dois
pesos e duas medidas?
Dias atrás, estava andando na rua quando passei do lado de um
modelo que estava fazendo um ensaio fotográfico. O cara era bonitão, morenaço,
corpo super definido, barriga tanquinho, aquele V na virilha que toda mulher
sonha em ver de perto... E, sem dúvida, muitas das mulheres que por ali
passaram nunca virão de perto um homem tão gato. Logo, era risadinhas para lá,
sorrisos e olhares, muitos olhares (as mais tímidas davam aquele olhar de
canto, mas não deixava passar batido). De longe ele chamava atenção e as
mulheres já sacavam o celular para registrar o monumento.
E se fosse ao contrário... E lá tivesse uma mulher bem
gostosa, com pouca roupa?

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