A jornalista Glynnis MacNicol revelou uma irmandade secreta
entre as mulheres que trabalharam/trabalham na redação da revista Playboy. A
reportagem assinada por Glynnis foi publicada no site da Elle, um dos veículos de moda mais
respeitados do mundo. O texto traz um olhar fiel e que destrói muitos
mitos, reforçando o ideal feminista bancado pela Playboy desde a fundação, em
1953.
“Fiquei impressionada quando vi a quantidade de mulheres na
redação”, disse Patty Lambert, editora da revista entre 2000 e 2005, hoje
professora universitária. “Tínhamos uma irmandade secreta lá”, recorda Heather
Haebe, que trabalhou no departamento editorial de 2000 a 2008.
O primeiro texto que a revista trouxe, na página 6 da edição
0, serve como uma bela defesa da mulher, principalmente pregando a liberdade de
escolha do sexo feminino, focando no direito de ela dar entrada no divórcio.
Lembrando que naquela época, nos Estados Unidos, o divórcio só poderia ocorrer
em casos extremos (abandono, adultério, etc). Apenas em 1969, na Califórnia,
que surgiu uma lei permitindo que a mulher pedisse a separação simplesmente
porque sim.
Para muitos, soa estranho o nome Playboy relacionado
positivamente a qualquer coisa feminista. Até por isso, na defesa teórica do
nosso TCC, eu e o Leonardo estudamos a fundo a Playboy norte-americana e
descobrimos coisas maravilhosas, como o brilhantismo de Hugh Hefner e de como a
revista é pró-feminismo desde o começo.
Na reportagem da Elle há o depoimento de Barbara Ellis, que
entrou na Playboy em 1970 e só saiu em meados dos anos 2000, quando já era
editora da revista. Ela confirmou que o espaço para mulheres na redação era
pouco há 46 anos atrás, mas elas estavam lá. Isso levou a um episódio curioso
quando Barbara ficou grávida, em 1977, que pegou todos da diretoria de
surpresa.
“Quando minha filha nasceu em 1977, lá [na Playboy] não
existia nenhuma política de licença-maternidade. Mas eles logo deram um jeito e
me colocaram de folga por três meses. Minha filha ganhou um berço dentro do meu
escritório. Assim, nos meses seguintes, eu levava ela para o trabalho, quando
necessário.”
Ellis, uma ativista civil presa nos anos 1960 em passeatas a
favor dos direitos civis, falou com alegria sobre a contribuição que a Playboy
teve na Segunda Onda do Feminismo, que ocorreu entre 1960 e 1980. Muitas
feministas de então queriam estar na revista, seja nua, expondo suas ideias, ou
as duas coisas. A edição universitária de 1971, por exemplo, teve uma venda
recorde: mais de 7 milhões de cópias. Esse era o público que elas queriam
alcançar.
Muitas não se incomodavam com a nudez exposta nas páginas da
revista, que ao menos nas edições norte-americanas não era apelativa, diferente
do visto no Brasil. Existia um glamour nos ensaios, um bom gosto (sem ser
piegas) na seleção de fotos. E muitas mulheres foram editoras de fotografia da
revista, dando a palavra final para fechar as fotos. Quem está neste posto
atualmente é Rebecca H. Black. Hoje na redação da Playboy trabalham 16 mulheres,
incluindo na presidência de marketing.
É curioso ver as próprias mulheres sendo machistas umas com as
outras _basta olhar ao redor e observar essa incoerência. As mulheres que saem
nuas na Playboy recebem rótulos dos mais baixos das “amigas”, como se fossem um
produto e outros absurdos. A professora Lamberti fez questão de quebrar essa
visão ao compartilhar uma função que tinha quando estava na revista.
“Tinha de escolher playmates [mulheres estrelas do ensaio do
mês em cada edição] para posar e
entrevistá-las sobre a vida sexuais delas e outros assuntos. Fiz isso umas 30,
40 vezes. A maiorias das garotas eram extremamente inteligentes e sabiam plenamente
o que estavam fazendo”.

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