A fase do limbo: 30 e poucos anos, divorciada e mãe


A vida é feita de fases e o nível de dificuldade de cada uma delas depende de como se chega a essas etapas. Entre tantos dilemas enfrentados ao longo do tempo, um se mostra bastante desafiador para a mulher: como ser divorciada e mãe aos 30 e poucos anos.

Nem se discute a benção de ser mãe, de ter um filho(a). Automaticamente, se torna o maior tesouro que alguém pode ter. Será protegido de qualquer maneira. Se o instinto materno é preenchido uniformemente, até a linha de chagada, como fica o lado sentimental, os relacionamentos?

Para ter uma ideia melhor dessa situação, vejamos um exemplo: a menina se casa cedo, aos 20 anos. Escolheu como marido um amor que conheceu e se envolveu por dois anos. A criança vem após três anos de casados. E aos 30 vem o divórcio.

Um tempo de reflexão passa, todos os detalhes de guarda e bens resolvidos. Daí vem a noite de uma quarta-feira qualquer em que ela, sentada no sofá assistindo alguma série na Netflix, faz a si mesmo uma pergunta simples, mas sem uma resposta no mesmo naipe: “E agora?”

Sente falta de dormir de conchinha, de ter alguém ao lado para conversar sobre as maiores bobagens imagináveis antes de dormir. Sente falta de ter um companheiro para passear e dividir os momentos mais simples de uma caminhada no centro da cidade. Sente falta do sexo da manhã antes de sair _e daquela transa da noite, cansada, resultado de um dia extenuante de trabalho. 

Surgem hesitações: terá alguém por aí que possa dar tudo isso e ainda entender a situação de mãe e divorciada? Ou só aparecerá um sujeito disposto a entregar o pacote (quase) completo, pois pouco está interessando em apenas Netflix and chill?

Ao se oferecer para o “mercado”, como fazer? Tem de dizer que só quer uma diversão para satisfazer desejos e vontades? Aliás, antes disso: onde procurar um companheiro? A idade “avançada” lhe dá a graça de ir ainda em bares, casas de show? A salvação está em sites de paqueras? Ou o amigo da amiga é quem a resgatará?

Será preciso honestidade com si mesmo, o que, consequentemente, replicará no outro. Se quiser só uma noite e nada mais, faça. Se quiser algo mais prolongado, busque. Definir o que quer não é apenas o primeiro passo, mas o fundamento para conseguir viver bem.

O que deveria ser fácil não o é. Logo vem as dúvidas. Se mostrar uma facilidade num primeiro encontro, o que vão pensar dela? Daí banca a difícil, na tentativa de mostrar que a meta é criar um laço afetivo. E os homens se afastam...

Eis então que um perigo bate a porta, que é se preocupar mais com o que os outros pensam do que fazer o que realmente quer. Não há qualquer problema em nenhuma das decisões, seja apenas querer uma noite fogosa ou um encontro mais careta possível. Deixando claro os interesses para o pretendente, tudo fica melhor e o resultado positivo é certo.

Porém, o limbo prevalece na maioria das vezes, uma indefinição que a própria vida lhe prega pela experiência que teve. O novo rumo da vida tem de ser tomado e assumido. Com o filha(o) bem encaminhado e cuidado, agora é a hora de olhar para dentro, pesar os prós e contras das oportunidades que aparecem e agir. Quando menos esperar, estará numa ilha de felicidade e o fatídico limbo será um mero pedaço de terra distante no horizonte.

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